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Clima eleva severidade da mancha branca no milho

Mancha branca do milho consolidou-se como uma das principais doenças foliares


Foto: USDA

A mancha branca do milho consolidou-se como uma das principais doenças foliares em regiões produtoras com cultivo intensivo e alto uso de híbridos de ciclo precoce, especialmente em sistemas com milho safrinha e sucessão com soja. Segundo a Embrapa milho e sorgo, em talhões com histórico da doença, o manejo deve ser pensado de forma integrada e antecipada, começando já no planejamento de safra, com decisões que envolvem escolha de híbridos, época de semeadura, rotação de culturas e manejo de restos culturais.

A doença, associada principalmente à bactéria Pantoea ananatis, ganhou importância nas últimas décadas em sistemas intensivos de produção de grãos. De acordo com a Embrapa, áreas com sucessão milho-soja, alta frequência de milho safrinha, plantio direto por muitos anos e uso de híbridos suscetíveis criam um ambiente favorável ao acúmulo de inóculo e à repetição da doença safra após safra. Em regiões de clima quente, com períodos de alta umidade relativa e ocorrência de orvalho frequente durante o ciclo do milho, a doença tende a se manifestar com maior severidade, o que tem levado produtores a relatar perdas significativas de produtividade, redução na qualidade dos grãos e aumento da dependência de fungicidas — muitas vezes com retorno econômico incerto quando o manejo não é bem planejado.

Entre os erros mais comuns está a repetição do mesmo híbrido suscetível em áreas com histórico de doença, a manutenção do mesmo arranjo de safra sem qualquer rotação com gramíneas alternativas ou culturas de cobertura não hospedeiras, o uso de fungicidas em estádios tardios, quando a doença já está generalizada nas folhas do dossel, e a repetição do mesmo grupo químico por várias safras seguidas, o que favorece a seleção de populações menos sensíveis aos produtos.

A mancha branca se manifesta como lesões arredondadas a elípticas, inicialmente encharcadas, que evoluem para manchas esbranquiçadas ou de coloração palha, geralmente com halo clorótico pouco definido. As lesões podem coalescer, provocando grandes áreas necrosadas e reduzindo significativamente a área foliar fotossinteticamente ativa. Segundo a Embrapa Milho e Sorgo, os primeiros sintomas podem surgir em folhas medianas e superiores, muitas vezes confundidos com outras manchas foliares, o que exige observação cuidadosa e, quando possível, diagnóstico laboratorial para confirmação. Em condições favoráveis — temperaturas amenas a altas, elevada umidade e presença de neblina ou orvalho —, as lesões se multiplicam rapidamente, principalmente em híbridos suscetíveis, e a desfolha antecipada reduz o acúmulo de fotoassimilados, afetando o enchimento de grãos e podendo antecipar a senescência da planta.

A dinâmica de estabelecimento da doença nas áreas envolve diferentes fontes de inóculo, como resíduos culturais de milho infectados e plantas voluntárias, além de possíveis hospedeiros próximos que funcionam como reservatório da bactéria. A Embrapa aponta que o agente causal pode sobreviver em restos de cultura na superfície do solo, principalmente em sistemas de plantio direto com grande quantidade de palhada de milho, sendo disseminado por respingos de chuva, vento associado a gotas de água, maquinário e até operações de manejo entre plantas e talhões. Em áreas com histórico, a soma de grande carga de resíduos de milho, pouca diversidade de culturas, baixa rotação de híbridos e clima favorável resulta em alta pressão de inóculo já nas fases iniciais da cultura — o que explica o aparecimento precoce e recorrente da doença.

Estudos e observações de campo citados pela Embrapa Milho e Sorgo indicam que infecções precoces e severas, próximas ao pendoamento e na fase de granação, podem causar reduções significativas de rendimento, por redução da área foliar e menor taxa de enchimento de grãos, com tendência de queda no peso de mil grãos e, em casos mais intensos, aumento de espigas chochas e desuniformidade de grãos na espiga. A doença, quando associada a outras enfermidades foliares, como ferrugens e cercosporiose, e a estresses abióticos, como déficit hídrico, alta densidade e deficiência nutricional, tende a potencializar as perdas, reforçando a importância do manejo integrado.

Em talhões recorrentes, a decisão de manejo deve começar antes do plantio, considerando o histórico da área — severidade da doença em anos anteriores, híbridos utilizados, épocas de semeadura e práticas de manejo cultural adotadas —, o planejamento de safra, incluindo a possibilidade de inserção de plantas de cobertura não hospedeiras, o potencial produtivo da lavoura e as condições climáticas esperadas para a fase crítica da cultura. O diagnóstico em campo complementa esse histórico por meio de monitoramento sistemático, com inspeções periódicas desde o fechamento de dossel, observando folhas do terço médio e superior, além de registro fotográfico e anotações sobre a evolução da doença por data, híbrido e prática de manejo.

A escolha de híbridos tolerantes é um dos pilares do manejo integrado recomendado pela Embrapa. A orientação é evitar híbridos reconhecidamente suscetíveis à mancha branca, mesmo quando apresentam alto potencial produtivo em condições sem doença, consultar resultados de ensaios regionais e diversificar o portfólio de híbridos na propriedade, reduzindo o risco de grandes perdas caso um material específico seja mais afetado. Híbridos tolerantes não eliminam a doença, mas reduzem a severidade e retardam a evolução dos sintomas, facilitando a eficiência de outras práticas de manejo.

A rotação de culturas também ajuda a diminuir a quantidade de inóculo na área. Em sistemas muito intensivos em milho, a recomendação é alternar a cultura com soja, algodão ou outras espécies que não sejam hospedeiras da bactéria causadora, além de inserir plantas de cobertura diversificadas em janelas de entressafra e evitar, sempre que possível, sequências de milho sobre milho em talhões com histórico de doença severa. Mesmo quando a sucessão soja-milho é mantida por motivos econômicos, a adoção de coberturas vegetais no período de entressafra e a interrupção da tiguera de milho contribuem para diminuir o inóculo disponível.

O manejo de restos culturais e plantas voluntárias é outro ponto central, já que os resíduos de milho funcionam como importante reservatório do agente causal. A distribuição homogênea da palhada na colheita, o estímulo à decomposição por meio de bom manejo de fertilidade e o controle rigoroso de plantas voluntárias na entressafra são medidas indicadas pela Embrapa para evitar que a tiguera sirva de ponte verde entre safras — sempre equilibrando essas práticas com a manutenção da cobertura do solo, essencial em sistemas de plantio direto.

A época de semeadura e a densidade de plantas também influenciam diretamente o risco da doença. O ajuste da janela de plantio, sempre que possível, deve buscar que as fases de pendoamento e enchimento de grãos coincidam com períodos de menor umidade e molhamento foliar prolongado, enquanto populações muito altas e híbridos de arquitetura fechada dificultam a aeração do dossel e prolongam o molhamento foliar, o que reforça a importância de ajustes de densidade, espaçamento e arranjo de linhas.

Quanto ao controle químico, embora a mancha branca seja causada predominantemente por bactéria, em muitos sistemas comerciais os fungicidas fazem parte do pacote tecnológico, principalmente porque os produtos são aplicados com foco em complexo de doenças foliares. A Embrapa recomenda priorizar aplicações preventivas ou no início da infecção, baseadas em monitoramento e estádio fenológico, usar produtos em mistura com diferentes mecanismos de ação quando indicados e registrados, e definir o número de aplicações com base em risco fitossanitário, valor esperado da produção e histórico da área, evitando pulverizações calendarizadas sem critério técnico. A escolha do produto, da dose e do momento de aplicação deve seguir rigorosamente a bula, o receituário agronômico e as recomendações de um engenheiro agrônomo, já que o uso inadequado aumenta custos e o risco de perda de eficiência por seleção de resistência.

O monitoramento sistemático, segundo a Embrapa Milho e Sorgo, deve ser planejado desde o início do ciclo, com pontos fixos ou transectos de observação, avaliação semanal da presença de sintomas nas folhas do terço médio e superior e registro das condições climáticas associadas à evolução da doença. Essas informações permitem correlacionar a intensidade da mancha branca com híbridos, épocas de semeadura e práticas de manejo utilizadas em cada safra, ajustando o programa a cada ano em vez de repetir a mesma estratégia independentemente das condições observadas.
Outras práticas fitotécnicas também influenciam a suscetibilidade da lavoura à doença. A Embrapa cita o manejo de adubação, já que desequilíbrios nutricionais — especialmente deficiência de potássio e de micronutrientes essenciais — podem reduzir a capacidade de resposta da planta a estresses bióticos, a irrigação, quando disponível, que deve evitar molhamento foliar prolongado e horários que mantenham as folhas molhadas por longos períodos, e o controle de plantas daninhas, já que mato alto e denso próximo às fileiras pode aumentar a umidade relativa ao redor das plantas e favorecer doenças foliares.

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